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"Ainda há espaço no mercado para mais projetos de construção nova"

04 dez 2019
"Ainda há espaço no mercado para mais projetos de construção nova"
Construção Civil
João Pedro Pereira, membro da Comissão Executiva da ERA, em entrevista ao idealista/news.

O mercado imobiliário floresceu, no rescaldo da crise, depois de uma "retração devastadora que fez parar a construção de novas casas em Portugal". Entretanto, e depois de anos negros, a “economia começou a crescer, o desemprego baixou e a procura aumentou, tal como o investimento imobiliário”, analisa João Pedro Pereira, membro da Comissão Executiva da ERA. A oferta, diz em entrevista ao idealista/news, não conseguiu acompanhar a euforia da procura, algo “perfeitamente natural”, dado que “ainda são precisos alguns anos até que essas casas cheguem ao mercado”. E não tem dúvidas de que ainda há espaço para mais projetos de construção nova, apontando a mira a oportunidades nas periferias dos grandes centros urbanos, mas também no Algarve e cidades do interior.

“A oferta demora muito tempo a reagir porque é preciso construir as casas. É preciso encontrar o sítio para construir, é preciso obter licenças, é preciso fazer a construção e, portanto, demora vários anos até que a oferta no mercado imobiliário reaja às condições macroeconómicas, agora bastante favoráveis”, destaca o responsável da ERA, para justificar, também, a natural e “previsível” pressão sobre o preço das casas arrendamento. “À medida que a oferta responde ao aumento da procura, os preços vão ter uma tendência a estabilizar e até em alguns casos reduzir, em ambos os casos”, explica.

À medida que a oferta responde ao aumento da procura, os preços vão ter uma tendência a estabilizar e até em alguns casos reduzir, em ambos os casos

João Pedro Pereira considera que o imobiliário nacional vai continuar a “surfar” a onda da nova construção, uma vez que, "olhando para as estatísticas, para o lançamento de novas construções, vemos que há espaço para mais investimento e para lançamento de mais obras no mercado”.  “Existe espaço”, frisa o responsável, adiantando que ainda há “muito para melhorar no parque habitacional, por exemplo, em termos de conforto e de áreas”.

Olhando para as estatísticas, para o lançamento de novas construções, vemos que há espaço para mais investimento e para lançamento de mais obras no mercado residencial

Garante que há muitas famílias portuguesas à procura de habitação própria, isto é, “casas maiores, centrais, com melhores condições, mais confortáveis e com maiores áreas”, mas também investidores que procuram” boas oportunidades de negócio, que procuram encontrar zonas onde sabemos que a oferta ainda é escassa e portanto há muita procura, sendo possível lançar nova construção ou financiar a construção para reabilitar e depois colocar à venda”.

Construção (ainda) enfrenta entraves

O mercado apostou na nova construção, tendo de lidar, apesar disso, com alguns obstáculos. João Pedro Pereira enumera-os, explicando as suas condicionantes. O primeiro entrave, refere, é financeiro, uma vez que “é necessário haver capitais próprios para construir, mas também capitais alheios, ou seja, é preciso haver financiamento à construção e é preciso que o mercado encontre soluções de financiamento para isso”.
 

O segundo entrave “tem a ver com a identificação de oportunidades de negócio. É sempre difícil encontrar as boas oportunidades para construir, os terrenos, as casas para renovar e para reabilitar”. E finalmente o terceiro entrave, diz, “tem que ver com o licenciamento, o processo administrativo, o processo mais burocrático”. No entender deste gestor, "há muito para melhorar na rapidez com que todo a tramitação legal e administrativa de aprovação de uma construção é processada, e de acordo com os timmings do mercado”.

Onde é que vale a pena investir?

“Eu acho que se olharmos para a demografia em Portugal vemos que a população portuguesa está concentrada no litoral e sobretudo na Grande Lisboa e no Grande Porto, e são essas as áreas que produzem mais ofertas de emprego, mais escolas, digamos que melhoram enquadram a vida das famílias e portanto essas zonas têm tipicamente mais procura de casas eu diria que continuam a ser zonas onde vale a pena investir”, indica João Pedro Pereira.

Ainda assim, ressalva que “os centros urbanos propriamente ditos, das cidades, começam a estar limitados do ponto de vista de oportunidades de construção”,  pelo que é mais nas periferias dos grandes centros urbanos, no litoral tipicamente, que se encontram as grandes tendências de mercado”.

Os centros urbanos propriamente ditos, das cidades, começam a estar limitados do ponto de vista de oportunidades de construção

Mas não esquece o Algarve, que continua a ser uma zona com grande potencial de investimento, quer em termos de tuísticos, quer ao nível das residências para estrangeiros, por exemplo. Também as cidades do interior, que mesmo representando “oportunidades mais pequenas”, podem revelar-se frutíferas.

Urge simplificar processos

João Pedro Pereira enfatiza a importância de “simplificar os processos administrativos, fazer uma regulação do mercado que ajude o mercado a aumentar a qualidade da oferta”, até porque “a qualidade do parque habitacional português, que tem muito espaço para ser melhorado depende de uma regulação que não atrase as decisões de investimento ou que crie mais incerteza para os investidores".

“Esse é o caminho que Portugal tem vindo a fazer já há muitos anos e nós esperamos que continue a fazê lo. E quanto mais rápido melhor”, conclui o responsável.

Fonte:https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2019/12/02/41692-ainda-ha-muito-para-melhorar-no-parque-habitacional-portugues

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